" Idolatrado por todos, denegado por cada um, eu era um pago-por-cota e não contava senão com recurso a mim que não existia ainda, palácio de espelho deserto onde o século nascente mirava o seu tédio. Nasci para satisfazer a grande necessidade que eu tinha de mim mesmo; conhecera até então apenas as vaidades de um cão de luxo; acuado no orgulho, tornei-me o Orgulhoso. "
Jean-Paul Sartre
|
 |
Wednesday, October 20, 2004
16:56:35.... Silêncio pesado. O ponteiro dos segundos ressoa como único objeto animado entre vivos inanimados. A costumeira onomatopéia dos relógios não acompanhou a evolução. O tic-tac tornou-se démodé em meio a modernidades taiwanesas. Transformou-se num click- click quase gnosiológico.
Algum monografista há de quantificar o peso e o calor do silêncio. Sim, eles existem.
Em pouco mais de uma hora encerro mais este extrato da minha angustiada rotina profissional. Extensos minutos de ócio ainda me restam. O tédio na motivação me corrói as aspirações financeiras e o prometido plano de carreira. Balelas da consolidação das leis trabalhistas.
A conveniência me pede inspiração para aproveitar essa hora de ócio remunerado e escrever. Mas não consigo pensar em nada original. Não acho em meus resquícios de pseudo-intelecto um sentimento humano mal resolvido. Nem uma situação epistemológica e constrangedora para uma personagem erudita pós-moderna. Nem uma crítica mentirosa sobre algumas mentiras por outros já resenhada. Sequer uma piada dissecada e reescrita em palavras nobres para parecer uma idéia surpreendente. Nada.
Uma certa inanição mental regada a um tico de co-dependência afetiva me surrupia um suposto talento que alguns porfiam em dizer que tenho.
Portanto, restam-me jaculatórias. Clichês e aleatórias:
- Decepcionem-se!
- Depreciem-me!
- Depreendam-se e releiam a si.
Sugiro que uma alma benevolente me ensine nessa caixa de comentários o que faço para recobrar a auto-suficiência. Ou melhor. Que um (meta)físico com tendências quânticas da USP me ensine a pormenorizar um contratempo de mais de 500 Km em fração de segundos.
E com cálculos direcionados a otimizar abraços quentes, não ao vestibular.
Posted at 09:03 am by estro
 |  |  | Camila October 20, 2004 04:13 PM PDT
vestibular fode a mente- e o ar pesa, sim, eu sinto. o silêncio também. tão forte quanto mil sóis. e se há talento, não vou dizer nada. sinto bem. sinto bom. me agrada aqui. agora: um abraço |  |
  |  |  | William October 21, 2004 07:37 AM PDT
Gostaria que algum comentário o ensinasse? Ora, faça-me o favor. |  |
  |  |  | Luís October 21, 2004 09:51 AM PDT
Vestibulando o sou. Mas vejo que a angústia não é bem essa... |  |
  |  |  | Camila October 21, 2004 11:01 AM PDT
um susto: tudo tão branco. |  |
  |  |  | Camila October 21, 2004 11:11 AM PDT
uma trilha? o silêncio de agora & minha coriza nasal. |  |
  |  |  | Laerte October 22, 2004 08:38 AM PDT
Entendi porque vc sumiu. Quanta serenidade, Julio Castro!
E por favor, vá me assistir. E logo, heim! |  |
  |  |  | Mônica October 22, 2004 01:56 PM PDT
Vestibular é uma bosta! Não tinha que eistir, entrava-se na faculdade e pronto...quem tem competência se estabelece....E a sa vagas???
Ai!!
Bjão |  |
  |  |  | Júlio October 25, 2004 12:46 PM PDT
De fato, Luís Garcia... o texto nem de longe fala sobre o vestibular.
Talvez sobre tédios, paixões, saudades e distãncias. |  |
  |  |  | Camila October 25, 2004 12:56 PM PDT
Seja o que for, vindo assinado "Júlio Castro" eu aceito. pega um abraço, rapaz. |  |
  |  |  | Marpessa October 25, 2004 02:32 PM PDT
não tenho a menor condição de ensiná-lo, uma vez que, sim, o peso e o calor do silêncio existem.
mas se porventura você aprender, ensine a mim, que pouquíssimo entendo...especialmente sobre instantes assim como este que você conseguiu captar. |  |
  |  |  | Sofia Gaarder October 26, 2004 08:19 AM PDT
Como bastar-se? Rs... Demorei 4 anos de terapia para descobrir como ser feliz comigo mesma. Quanto ao vestibular, este foi um dos meus grandes monstros também. Hoje vejo que é tão pequeno, são mesquinho, que sou muito maior do que isso.
Mentalidades acadêmico-estaduais e federais são um lixo em geral. Há que se garimpar muito para encontrar uma estrelinha apagada por tanta necessidade de auto-afirmação intelectual que sufoca a todos.
Hoje sou objetiva. Não dependo desses clichês.
Try it! Terapy Rulez! |  |
  |  |  | Lektor October 26, 2004 09:58 AM PDT
Esse blog é-me bem peculiar, tem até um "counter" azul. No mais, o William também anda por aqui, e o Sargento Garcia (que não gosta de pseudo-literatura, enquanto que eu não gosto é de pseudoliteratura) idem... |  |
  |  |  | William October 26, 2004 11:06 AM PDT
Lektor, eu já te disse que você não sabe da missa a metade sobre o que rola entre mim, Júlio e Luís.
|  |
  |  |  | Lektor October 26, 2004 12:50 PM PDT
William Oliveira, não sei e nem quero saber, nem sobre a missa um centésimo, muito mesmo sobre o que "rola" nesse triâgulo!
Júlio, lá no meu blog, o que você quis dizer com "Esper?? (rs)"?
Marque um X:
Esperança ( )
Esperma ( )
Esperando ( )
Esperto ( )
Esperanto ( )
Nenhuma das alternativas ( )
|  |
  |  |  | Lektor October 27, 2004 10:19 AM PDT
Júlio, por fim, acabei lendo algo sobre Carlos Heitor Cony! Realmente, não sei por que você acha que eu me inspiraria nele... |  |
  |  |  | Júlio October 27, 2004 11:32 AM PDT
Na jactância, tavez. Soa-me um tanto bazófio. Nenhuma comparação à forma de escrita, longe de mim. E de você também.
Agora, com tantos títulos recentes e acredito que outros precedentes, como nunca ouvi falar de vc? Ou já ouvi? Quem é o Lektor? |  |
  |  |  | lektor October 27, 2004 11:52 AM PDT
JACTÂNCIA? Não sei se aceito isso como um elogio ou como uma censura, já que esse termo tem correlação estreita com falta de modéstia!
Quanto a soar bazófio, talvez, pois o que busco é mesmo um pouco de diversão!
E quem sou eu? Até há pouco tempo eu era o Sénéchal do blog Moinho de Letras. Abandonei tanto o blog quanto o nome...
|  |
  |  |  | Júlio October 27, 2004 12:23 PM PDT
Pena sua resposta não ter me ajudado muito (se é que existe tal resposta). Desconheço totalmente suas vidas passadas. Mas pelo nome do blog, acredito que os textos depois da moenda ao pó retornaram.
E voltando um pouco a origem perdida de tudo isso: esqueça o mago medíocre e fale sobre Saramago. Huxley tem uma temática teenager que é mais sua cara. Quem sabe até Mário Prata. Ou escondido por Lektor estaria o ego denegado do próprio Paulo Coelho? |  |
  |  |  | Lektor October 27, 2004 12:43 PM PDT
A única importância que Paulo Coelho tem para mim é servir de alvo crítico, mas quando eu me cansar dele, escolherei outro ESCRITOR, talvez aqueles que você sugeriu... |  |
  |  |  | Luís October 27, 2004 06:30 PM PDT
Sargento Garcia? Ora, faz-me rir, Sené...
Júlio saudade dos textos, cara... |  |
  |  |  | Mônica October 28, 2004 05:40 AM PDT
Otimismo, heim?!
Um beijo, Júlio. |  |
|